Copa Resenha: o torneio que devolveu o futebol aos sócios do Juventus
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Campeonato interno criado por um associado reúne quase 200 jogadores de 35 a 79 anos na Mooca, com gestão transparente, arbitragem profissional e sem custar nada ao clube

Enquanto o futebol profissional vive a era das cifras milionárias, um campeonato amador na Mooca aposta no caminho inverso: ninguém recebe para jogar. Na Copa Resenha, torneio interno do Clube Atlético Juventus que chega à terceira edição em 2026, os quase 200 participantes pagam R$ 300 por ano pelo direito de entrar em campo o ano inteiro.
A competição nasceu de um problema real. Os campeonatos internos anteriores eram dominados por equipes que contavam com ex-jogadores profissionais bancados por patrocinadores — alguns com passagem por grandes clubes e até pela Seleção Brasileira. Para o sócio comum, que trabalhava a semana inteira e jogava por lazer, disputar o título virou miragem.
Foi assim até 2024, quando Fábio D'Angelo, o Fumaça — sócio há 50 anos e hoje diretor de futebol de associados —, decidiu criar um torneio exclusivo para sócios de verdade. O grupo de WhatsApp que ele abriu num domingo de manhã reuniu mais de 80 interessados em três horas. No dia seguinte, já passava de 100.
"A Copa Resenha nasceu para devolver ao sócio o prazer de sair de casa e dizer para a família: vou jogar bola. Aqui ninguém é remunerado para jogar; a gente paga para jogar. Se eu quiser ver profissional, eu vou ao estádio", afirma D'Angelo.
Hoje são 195 jogadores em dez equipes, com uma lista de espera de 35 nomes. As idades vão de 35 a 79 anos. Os elencos são montados por uma comissão de seis pessoas que distribui os atletas por faixa etária, posição e nível técnico — a ideia é que qualquer time tenha condição real de ser campeão.
A gestão seria invejada por muitos clubes profissionais: toda a movimentação financeira fica publicada em um aplicativo acessível a todos os participantes, com receitas, despesas, comprovantes, súmulas e estatísticas individuais. A arbitragem é profissional. Os goleiros são contratados por partida, ficando fixos em cada baliza e trocando de lado no intervalo para eliminar qualquer vantagem. Uniformes, bolas e equipamentos de primeiros socorros são bancados por patrocinadores — e o excedente de receita vai direto para os cofres do clube.
"O nosso campeonato não tira um real do Juventus. Pelo contrário: quando entra patrocínio, o clube ganha", resume D'Angelo.
Cada edição tem um tema: depois de homenagear times europeus e da Libertadores, a edição de 2026 celebra as seleções da Copa do Mundo. O torneio também gerou melhorias concretas para o clube: em parceria com a SAF do Juventus, o gramado sintético do campo dos associados — inaugurado originalmente pelo próprio Pelé, em 2006 — foi totalmente reformado e entregue em abril de 2026. No mesmo período, um programa de anistia para sócios inadimplentes defendido por D'Angelo resultou em mais de 700 novos associados desde o fim de 2025.
Nos fins de semana, o clube ganhou uma nova vida. Jogos da Copa Resenha reúnem famílias, churrascos e três gerações em campo, com avôs, pais e filhos na mesma competição. "O futebol de associados é um dos pilares do Juventus. A gente movimenta o clube, traz gente de fora para conhecer e resgata sócio que estava afastado. Isso não tem preço", conclui o diretor.























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