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Juros altos e regras instáveis travam investimentos da indústria, alerta presidente do Polo Empresarial Mooca

há 18 horas
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Anderson Festa defende crédito acessível, segurança jurídica e uma agenda de longo prazo para a reindustrialização, e usa a Mooca como exemplo


Juros altos e regras instáveis travam investimentos da indústria, alerta presidente do Polo Empresarial Mooca

O presidente executivo do Polo Empresarial Mooca, Anderson Festa, avalia que o Brasil voltou a falar em reindustrialização justamente quando investir ficou mais difícil. Em artigo publicado nesta segunda-feira (26), ele aponta três fatores que, na sua análise, seguram os projetos do setor produtivo: os juros elevados, a longa fase de adaptação da reforma tributária e as mudanças frequentes nas regras.

Segundo Festa, o dinheiro caro encarece a compra de máquinas e dificulta a automação das linhas de produção. Com isso, os projetos industriais passam a competir por recursos com aplicações financeiras de menor risco. Ele reconhece que a reforma tributária tem potencial para corrigir distorções históricas, mas afirma que a transição exige adaptações relevantes e que o poder público precisa conduzi-la com clareza e previsibilidade. Para o presidente do Polo, a pergunta que o empresário se faz é se vale comprometer capital por cinco, dez ou vinte anos no país.


Festa também chama atenção para a pressão tecnológica. Inteligência artificial e automação já definem a competitividade, mas custam dinheiro e exigem planejamento. Na avaliação dele, não faz sentido cobrar velocidade da indústria enquanto financiar a modernização é caro e as regras que afetam o retorno dos investimentos continuam mudando.


A Mooca como exemplo

O artigo usa o bairro para dar dimensão concreta ao debate. Um dos berços da industrialização brasileira, a Mooca completou 470 anos com 228 empresas, mais de 70 mil empregos diretos e indiretos e R$ 12 bilhões movimentados por ano. São companhias de aço, vidro, metalurgia, química, construção, alimentos, máquinas e logística. Há ainda mais de R$ 1 bilhão em projetos de expansão, automação, equipamentos e novas tecnologias mapeados na região.

Parte desses projetos, segundo Festa, convive com uma incerteza local: empresas do bairro aguardam uma definição do governo estadual sobre as alternativas para o pátio de manobras da futura Linha 16-Violeta. Ele diz que o diálogo avançou e que soluções foram apresentadas, mas que a indefinição sobre o futuro de áreas produtivas tem custo para quem precisa planejar investimentos de longo prazo. Para ele, as decisões públicas devem buscar soluções que conciliem infraestrutura e produção.


O que ele defende

Festa ressalva que a indústria também precisa fazer a sua parte: quem não incorpora tecnologia nem aumenta a produtividade perde competitividade. A diferença, afirma, está entre perder espaço para um concorrente mais eficiente e deixar de investir porque o retorno se tornou imprevisível. Como 2026 é ano de eleições, ele defende que o tema esteja no centro do debate e que o próximo governo e o Congresso tratem de crédito acessível, previsibilidade econômica, segurança jurídica e regras estáveis, com diálogo com o setor produtivo e visão que ultrapasse o calendário eleitoral.


Para o presidente do Polo, o Brasil saberá que criou condições para fortalecer sua indústria quando comprar uma máquina nova, adotar inteligência artificial ou ampliar uma fábrica voltar a ser um bom negócio no país.

Artigo de opinião de Anderson Festa, presidente executivo do Polo Empresarial Mooca, publicado originalmente no portal BRA 1 em 26/10/2026. As posições apresentadas são do autor.

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