Da Mooca para o Pará: estudantes de Medicina atendem comunidades à beira do Rio Tapajós
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Alunos da Anhembi Morumbi participaram da 15ª edição da Missão
Amazônia; iniciativa da Inspirali já soma mais de 13 mil atendimentos no Brasil

Três mil e quinhentos quilômetros, em um trajeto que começa em estradas e termina em um barco: esta foi a viagem realizada pelos alunos de Medicina do campus Mooca da Universidade Anhembi Morumbi, que deixaram suas casas para participar da Missão Amazônia, projeto idealizado pela Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil. A 15ª Missão Amazônia marca o atendimento de mais de 13 mil pessoas, com a participação de 460 alunos, em regiões distantes e de difícil acesso.
Com o objetivo de levar qualidade de vida para moradores de regiões isoladas e proporcionar experiência humanitária para futuros médicos, a última edição da Missão, que ocorreu entre os dias 20 e 31 de maio, reuniu 33 alunos, um egresso e cinco professores de seis escolas do sistema.
No Pará, o grupo embarcou no Navio Hospital Escola Abaré, da UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará), onde os atendimentos também foram realizados. “Foi a primeira vez que participei de uma missão e o que mais chamou minha atenção foi ser ‘feliz no simples’. Moro em São Paulo e nunca imaginei que tivesse tantos ‘Brasis’ dentro do Brasil. É uma realidade totalmente diferente e me impactou bastante”, conta o aluno de Medicina Ianderson de Siqueira Martins, 41 anos, que está no sexto ano de Medicina.
Para Ianderson, foi uma experiência transformadora. “Vi que devemos reclamar menos e agradecer mais pelo que a gente tem”, complementa. Para Ianderson, estar na Missão representou a chance de fazer a diferença na vida das pessoas. “Às vezes a gente tem aquela sensação de impotência, de não poder fazer mais, mas ali a gente se sente útil. Para aquelas pessoas, ser escutado e receber ajuda são suficientes. Foi incrível e pretendo participar das próximas missões, mesmo como egresso”, conta.

Escuta e acolhimento
Na Missão Amazônia, houve atendimentos na área de saúde da família e em especialidades como Ginecologia, Psiquiatria e Pediatria, além de cirurgias ambulatoriais e Gastroenterologia, novidade na iniciativa. Durante a ação, também foram realizados atendimentos por teleconsulta em parceria com as CIS (Clínicas Integradas de Saúde) da Inspirali, por meio da utilização de um Prontlife (Prontuário Eletrônico do Paciente), que atua na captação, armazenamento e gestão de dados de forma conectada ao e-SUS.
Dos 13 mil atendimentos, 2.617 eram crianças e 1.371 idosos; 63% mulheres. As principais queixas foram doenças musculoesqueléticas, infecciosas, respiratórias e dermatológicas, além de verminoses, diabetes e hipertensão arterial. As ações levam ainda cirurgias aos locais: já foram 1.200, sendo as principais retiradas de pintas, cistos sebáceos, lesões cicatriciais e lipomas.
“Nas Missões, temos a oportunidade de proporcionar atendimento a estas comunidades que, por questões geográficas, têm dificuldades de receber assistência médica especializada. Além disso, levarmos nossos estudantes para esta experiência em que atuam, de forma consciente e supervisionada, em uma realidade totalmente diferente daquela que vivenciam em sala de aula, é uma verdadeira aula de comprometimento e humanização na profissão. Eles entendem, na prática, a importância da escuta atenta e do acolhimento para cada um dos pacientes, muitos dos quais não passavam por uma consulta há algum tempo”, destaca Rodrigo Dias Nunes, diretor de Extensão Curricular, Extra-curricular e Travessia Humanitária da Inspirali.
























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